Tem aqueles dias que aquilo que mais queremos é que eles se apaguem do calendário, da nossa memória, de tudo o que nos lembre os acontecimentos por eles marcados. Lembrar deles nos traz tristeza, mágoa e decepção, tanto sentimento ruim misturado que parece não valer a pena sua existência. Percebi, porém, que é preciso pensar no que aconteceria se esses malditos dias não tivessem acontecido. E é aí que chega aquela tal pergunta: será que eu seria quem sou hoje se não tivesse me decepcionado lá atrás?
E a resposta é mais óbvia que a pergunta: Não! Somos marcados por cada derrota, e por cada conquista; por cada tristeza, e por cada alegria; por cada lágrima e por cada sorriso. Cada mágoa nos torna mais fortes, e cada satisfação nos dá mais coragem para ir além. Saber disso, é claro, não impede que fiquemos tristes, despedaçados, partidos em vários pedacinhos. Porque é difícil admitir que escolhemos errado, que não previmos aquilo que poderia acontecer, aquilo que aconteceu, que não vimos o perigo antes de arriscar; ou que vimos, mas não fomos capazes de recuar a tempo.
Às vezes fazemos de tudo por alguém. Apoiamos, incentivamos, em certos momentos até discordamos, mas sempre tentando deixá-lo melhor. Então chega a vida e mostra que nem todo mundo é como você, que aquela pessoa que você sempre ajudou nem percebe quando tem algo errado, que aquele que você, mesmo não sendo tão afetivo assim, abraçou nos momentos difíceis, hoje nem te cumprimenta direito. É difícil aceitar que não é recíproco, que não trata da mesma maneira. Mas é preciso. Se apagarmos da nossa memória, continuaremos sempre sofrendo e deixando o sentimento escondido em um cantinho lá no fundo do coração. Só que um dia isso explode, toma rumos que não sabemos explicar.
Se cada experiência vem para acrescentar, vamos então enxergar nelas o que podemos tirar de lição, vamos aproveitá-la para crescer, ser melhor, não cometer o mesmo erro outra vez. Precisamos perceber que, muitas vezes, não dá certo. E que, geralmente, a culpa não é de um só...